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Exposicions

O Museu Abelló revive as Galerias Dalmau: uma viagem à vanguarda catalã

Uma exposição com curadoria de Joan Maria Minguet reconstrói o debate entre tradição e modernidade em Barcelona no primeiro terço do século XX.

Catàleg de l’exposició d’Helena Grunhoff a les Galeries Dalmau, 1917.
O Museu Abelló revive as Galerias Dalmau: uma viagem à vanguarda catalã

O Museu Abelló, em Mollet del Vallès, oferece uma imersão única na história da arte catalã nestes meses com a exposição "Reconstruindo as Galerias Dalmau (1908-1930) ", que pode ser visitada até 11 de outubro. Com curadoria de Joan Maria Minguet, a mostra não se limita à exibição de obras: propõe uma reconstrução autêntica de um dos espaços mais influentes da modernidade artística em Barcelona.

Entre 1900 e 1930, a cidade viu a consolidação de três importantes epicentros da atividade artística: a Sala Parés, as Galeries Laietanes (uma visita imperdível é a obra de Antoni Tàpies. O movimento perpétuo da parede no Museu Tàpies) e, sobretudo, as Galeries Dalmau. Estas últimas, ativas entre 1908 e 1939, tornaram-se um foco de disseminação de novas tendências, com mais de 160 exposições e mais de 2.000 obras apresentadas. Agora, o Museu Abelló resgata esse legado com uma proposta que alia rigor documental e intenção evocativa.

  • Joan Brull Vinyoles, Retrato de uma menina, Museu Abelló.

A exposição reúne quase uma centena de obras — originais ou reproduzidas nos casos em que não foi possível obter um empréstimo — com o objetivo de mostrar a tensão entre tradição e modernidade que definiu o cenário artístico catalão da época. Para além da simples acumulação de peças, a visita guiada destaca aspetos muitas vezes pouco estudados: as instalações expositivas, a diversidade de catálogos e o papel dos artistas que ficaram à margem da narrativa canónica.

A iniciativa foi possível graças à coleção documental de Joan Abelló, pintor e colecionador, que doou não apenas sua coleção, mas também o arquivo e sua própria casa, tornando o atual museu uma realidade. Esse material nos permite reconstruir em detalhes a atividade das galerias e compreender seu impacto no contexto cultural da época.

A figura central desta história é Josep Dalmau Rafel, um galerista visionário que promoveu um espaço fundamental primeiro na Carrer Portaferrissa e depois no Passeig de Gràcia. Dalmau optou por uma programação diversificada que incluía desde arte antiga e exótica até as formas mais inovadoras da arte moderna: pintura, escultura, desenho, gravura, fotografia e até projetos arquitetônicos. Sua galeria tornou-se uma plataforma de vanguarda que conectou artistas catalães com as correntes internacionais.

  • Exposição do pintor Francis Picabia nas Galeries Dalmau.

Entre os nomes presentes na exposição, encontramos figuras como Lola Anglada, Xavier Nogués, Salvador Dalí, Miquel Villà, Pablo Gargallo e Lluís Mercadé, entre muitos outros. No entanto, a exposição também valoriza criadores menos reconhecidos, ampliando assim a visão sobre um período crucial. O visitante do Museu Abelló fará uma entrada simbólica numa máquina do tempo que lhe permitirá redescobrir a atmosfera, as preocupações e o universo visual que as Galerias Dalmau ajudaram a definir.

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