O modelo cultural que definiu o Cinema Truffaut por mais de duas décadas está passando por uma mudança. O Grupo de Críticos de Girona, promotor e gestor histórico do cinema, ficou de fora do concurso público promovido pela Câmara Municipal para a sua gestão. A partir de 19 de abril, a programação e a gestão do cinema passarão para as mãos da empresa de Tarragona, Rambla de l'Art-Cambrils AIE, ligada a Antoni Badimon.
A decisão surge poucos meses depois de o projeto ter celebrado um marco significativo: o 25.º aniversário da sua municipalização, comemorado em novembro passado com um evento de destaque no Teatro Municipal. Essa celebração não só comemorou um aniversário, como também a trajetória de uma iniciativa que se enraizou profundamente no tecido cultural de Girona.
As origens do projeto remontam à década de noventa, quando o Col·lectiu começou a promover a Setmana de la Crítica nos antigos cinemas Catalunya. Mais tarde, conseguiram consolidar uma proposta estável de cinema de autor e em versão original na sala B do cinema Modern. Com o encerramento deste espaço, a Câmara Municipal adquiriu o edifício, o que permitiu o início de uma nova etapa institucional a 17 de novembro de 2000, com o Col·lectiu já constituído como uma associação cultural sem fins lucrativos.
Na recente licitação pública, conforme noticiado pelo Diari de Girona, foram apresentadas apenas duas candidaturas: a do próprio Col·lectiu e a da empresa de Cambrils. Curiosamente, nos critérios qualitativos — como a proposta de programação, a promoção da língua, a relação com outros espaços culturais ou as atividades paralelas — o Col·lectiu obteve uma pontuação superior (42,75 pontos contra 39,75 do concorrente). Contudo, a proposta económica foi decisiva: a Rambla de l'Art-Cambrils AIE alcançou 49 pontos nesta secção, superando os 43,84 do Col·lectiu.
O resultado final demonstra uma tensão comum na gestão cultural contemporânea: o peso dos critérios econômicos versus o valor acumulado por projetos enraizados no território. Neste caso, a trajetória de mais de 25 anos de uma entidade local sem fins lucrativos não foi suficiente para garantir a continuidade do modelo.