O Teatro-Museu Dalí em Figueres recupera onze obras excepcionais de sua coleção permanente, apresentando-as no contexto criativo da década de 1970, período crucial na carreira de Salvador Dalí, no qual o artista se dedicou intensamente à concepção e ao desenvolvimento do que viria a ser o Teatro-Museu. Essa fase é caracterizada por intensa pesquisa e experimentação, em que Dalí explora novas formas de compreender e representar a realidade por meio de recursos ópticos e técnicas inovadoras, aproveitando os avanços científicos e tecnológicos da época.
As onze obras selecionadas refletem essa combinação singular de curiosidade científica e criatividade artística. A exposição inclui oito pinturas — duas delas estereoscópicas, concebidas como pinturas duplas —, um desenho, uma anamorfose, uma gravação holográfica e seis fotografias, todas testemunhando o interesse de Dalí em gerar experiências visuais que desafiam a percepção convencional. A partir de terça-feira, 24 de março, e por um período mínimo de dois anos, essas obras poderão ser vistas na Sala de les Lògies, espaço que até então abrigava a famosa obra A Madona de Portlligat.

Salvador Dalí no set do programa matinal da CBS em 1956 | © Philippe Halsman Estate 2026.
Por meio de suas técnicas, Dalí consegue provocar uma percepção singular do mundo sensível, combinando sua habilidade pictórica com princípios científicos como a dupla imagem, a estereoscopia e a holografia. Dessa forma, o artista representa simultaneamente a realidade externa e interna, criando uma experiência que pode coincidir ou divergir da percepção do observador, mas que, em qualquer caso, gera uma ampla gama de associações psíquicas. O espectador é, assim, imerso no discurso artístico de Dalí, descobrindo uma visão de mundo que transcende os limites da percepção ordinária e que revela a profunda relação do artista com a ciência e a tecnologia.
"Sou um geômetra em busca da terceira dimensão na imagem fotográfica", Salvador Dalí.