De 26 de março a 12 de outubro, as salas de arte românicas transformam-se num espaço de diálogo entre passado e presente, graças à intervenção do artista Fernando Prats, sob a curadoria de Gloria Moure. Esta proposta convida o visitante a percorrer um itinerário visual e conceptual que transcende o tempo, estabelecendo ligações subtis entre linguagens artísticas aparentemente distantes.
A obra de Prats se baseia em uma sensibilidade especial para com os fenômenos naturais e seus ritmos. Elementos como a gravidade ou o bater das asas dos pássaros tornam-se ferramentas para registrar o movimento universal, gerando uma cartografia poética que atravessa os espaços. Nesse contexto, as paisagens que ele propõe não são meras representações, mas experiências que evocam a passagem do tempo e a dinâmica invisível da natureza.

Fernando Prats, Vesica Piscis, Catch on the Fly, 2009, Museu Nacional de Arte da Catalunha, 2026.
Esta intervenção não se limita ao diálogo com a arte românica, mas sim a reinterpretá-la, destacando suas geometrias ocultas e estruturas internas. A contemplação dessas correspondências revela uma profunda conexão entre épocas, para além das diferenças conceituais, e evidencia a persistência de certas preocupações humanas.
O percurso proposto por Prats desdobra-se como uma linha contínua que une as diferentes salas numa experiência coesa. Através deste itinerário, o artista explora a representação da natureza como tema artístico, desenvolvendo uma noção de paisagem construída a partir de registos pictóricos e processos cumulativos.
Suas obras, frequentemente atemporais, reivindicam a pintura como uma sedimentação complexa e estratificada, capaz de conter as tensões e contradições inerentes à experiência humana. Assim, a proposta se torna um convite a olhar além da superfície, a descobrir as camadas invisíveis que conectam arte, natureza e existência.

Fernando Prats, Vesica Piscis, Sem título, 2025, Museu Nacional de Arte da Catalunha, 2026.
"O percurso estabelece um diálogo, delineia uma linha que se entrelaça com passagens alternativas até articular as diferentes partes da exposição como um todo. Ao longo deste itinerário, o conceito de representação é abordado através de projetos em que a natureza se ergue como sujeito artístico: obras de registro pictórico que desenvolvem a noção de paisagem e criações sobre o tempo e sua duração que reivindicam a visão da pintura como uma sedimentação estratificada, profunda e hábil das contradições inerentes à experiência humana." Gloria Moure