O cineasta catalão Albert Serra conquistou seu primeiro Prêmio Goya na categoria de Melhor Documentário com Tardes de Soledad . O filme, produzido por Montse Triola, Albert Serra, Luis Ferrón, Pedro Palacios, Ricard Sales e Pierre-Oliver Bardet, constrói um retrato íntimo e profissional do toureiro Andrés Roca Rey, mostrando em primeiro plano algumas das tarefas mais marcantes de uma temporada de touradas, marcada pela exigência e pela exposição pública. Serra aborda o tema com um olhar pessoal e contemplativo, mergulhando nos silêncios, na tensão e na dimensão humana do protagonista.
O diretor, que já havia sido reconhecido com a Concha de Oro no Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, concorre também na 40ª edição do Prêmio Goya na categoria de Melhor Diretor, um feito inédito para um documentarista. Essa indicação consolida seu prestígio no cenário cinematográfico nacional e internacional.
Ao receber o prêmio, Serra dedicou-o a Andrés Roca Rey e sua equipe, agradecendo-lhes pelo "privilégio de acessar sua privacidade". "Foi uma posição arriscada porque o assunto é muito político e complexo, e eles assumiram esse risco", enfatizou o cineasta, que subiu ao palco sem tirar seus característicos óculos escuros e acompanhado por membros de sua equipe, incluindo Luis Ferrón, Montse Triola e Pedro Palacios.
Autor de filmes como Pacificação, O Canto dos Pássaros e A Morte de Luís XIV, Serra acumulou diversos prêmios ao longo dos anos, como o Prêmio Gaudí, o Prêmio César e o Prêmio da Academia Europeia de Cinema. Apesar dessa carreira consolidada, seu trabalho ainda não havia sido reconhecido no Prêmio Goya, lacuna que finalmente foi preenchida com esta primeira premiação.