A carreira do fotógrafo chileno Sergio Larraín, membro da Agência Magnum, chega à Catalunha com uma dupla exposição em Barcelona e Palafrugell, produzida pela Magnum Photos e coorganizada pela Fundação Foto Colectania e pela Bienal de Fotografia Xavier Miserachs. As exposições oferecem um panorama completo da obra de um dos fotógrafos mais singulares do século XX, capaz de transformar momentos cotidianos em imagens poéticas e enigmáticas.
Na Foto Colectania, de 22 de janeiro a 24 de maio, acontece a exposição El vagabundo de Valparaíso , com 80 fotografias tiradas no Chile, com destaque para a série Niños de la calle (1956–1957), que retrata a vida de crianças que sobrevivem nas ruas de Santiago. Larrain, ainda aprendendo sobre a fotografia, literalmente e metaforicamente se colocou no lugar delas, criando imagens que capturam sua vulnerabilidade e, ao mesmo tempo, sua força. Essa série, juntamente com o filme de 16mm Niños vagabundos, chamou a atenção da Agência Magnum.

Sérgio Larraín. Passagem Bavestrello Valparaíso Chile, 1952. © Sergio Larrain / Magnum Photos.
O projeto sobre Valparaíso (final da década de 1950 – meados da década de 1960) é um dos mais conhecidos de Larraín. O fotógrafo retratou as colinas, as escadarias, os habitantes e cada recanto do porto com uma sensibilidade única, criando um verdadeiro poema visual que culminou no livro Valparaíso (1991), com um ensaio de Pablo Neruda, Las piedras del cielo. Larraín preparou um novo modelo, mais pessoal, que não quis publicar em vida; a versão definitiva foi lançada em 2012.
A partir de agosto, a Bienal de Fotografia Xavier Miserachs, em Palafrugell, exibirá quase 90 imagens, incluindo trabalhos de Larraín na Europa e em outros países da América Latina, além de fotografias tiradas na Ilha de Chiloé e cenas urbanas de Santiago, completando assim sua visão artística do Chile e do mundo.

Entre a Ilha de Chiloé e Puerto Montt, Chile, 1957 © Sergio Larrain / Magnum Photos.
O olhar de Larrain caracteriza-se pela liberdade, originalidade e um lirismo discreto. Sua fotografia de rua combina poesia e mistério, com o uso magistral de sombras, reflexos e ângulos inesperados, revelando uma profunda sensibilidade à presença humana e à solidão urbana. Graças à pesquisa e curadoria de Agnès Sire, o legado de Larrain foi recuperado e revalorizado, continuando a inspirar novas gerações de fotógrafos.
Com “Sergio Larrain. O vagabundo de Valparaíso”, o público tem a oportunidade de mergulhar num universo onde a fotografia se torna poesia e o quotidiano se transforma numa imagem enigmática.