Pere Portabella é uma das vozes mais livres, radicais e prolíficas da cultura catalã contemporânea. Um criador que cruzou o cinema, a arte e a política como quem atravessa um território sem fronteiras, transformando cada projeto num ato de resistência poética e cada imagem numa declaração de princípios. Produtor audacioso, cineasta indisciplinado, ativista cultural e pensador inquieto, Portabella fez da cultura um espaço de liberdade, risco e compromisso.
Para comemorar o centenário de seu nascimento, o Ministério da Cultura apresentou o programa "Acció Portabella", uma grande celebração coletiva que busca resgatar a dimensão artística, política e poética de um dos nomes essenciais da história do cinema. O Ministro Ernest Urtasun e a Ministra da Cultura da Generalitat, Sònia Hernández, anunciaram a proposta na Filmoteca da Catalunha, epicentro de uma homenagem que se desdobrará ao longo do ano em uma série de atividades, exposições e exibições.
No dia 11 de fevereiro, quando Pere Portabella (Figueres, 1927) completa 99 anos, será oficialmente inaugurado o Ano de Portabella, que se estenderá até o dia do seu centenário. Será mais do que uma comemoração, mas um convite a redescobrir uma obra que continua a desafiar o presente, traçando pontes entre o cinema, a arte e o pensamento crítico.

O programa abordará todas as facetas do criador: o produtor que, em pleno regime de Franco, assumiu riscos decisivos, viabilizando filmes lendários como Viridiana, de Luis Buñuel, ou El cochecito, de Marco Ferreri; o cineasta experimental que transformou a tela em um espaço de reflexão com obras como Vampir-Cuadecuc, Umbracle ou Informe general; e o intelectual engajado que participou ativamente da Transição, traçando uma ponte entre a criação e a responsabilidade cívica.
A Acció Portabella reúne, em sua primeira fase, 62 entidades — 20 internacionais — incluindo centros de arte, festivais, cinematecas, universidades e fundações de pensamento. Espaços como o CCCB, a Fundação Miró, a Fundação Tàpies, o Círculo de Bellas Artes e o MoMA de Nova York, que relançará a retrospectiva dedicada a ele em 2007, fazem parte dessa rede cultural global. A Filmoteca da Catalunha terá um papel central, como guardiã de seu legado e força motriz por trás da grande retrospectiva que circulará por cinematecas do mundo todo, com o apoio da FIAF.
Seminários, ciclos de palestras e propostas de exposições no Reina Sofía, no MNAC, no CCCB ou na Filmoteca d'Andalusia, bem como a colaboração de instituições como a Cinemateca Portuguesa, o Eye Filmmuseum em Amsterdã, o Festival Internacional de Cinema de Toronto ou o Festival Internacional de Cinema de Jeonju, constituem uma homenagem de dimensão internacional.
Em suma, Portabella é um criador que fez da liberdade uma forma de arte e da arte uma forma de liberdade. Um nome que ressoa como um eco persistente na memória cultural do país, lembrando-nos que cultura não é apenas beleza, mas também coragem, risco e consciência.