O artista catalão Sebastià Martí apresenta sua nova exposição, La Vie en Rose , na Galeria de Arte Contemporânea 3 Punts, convidando o espectador a mergulhar em um universo onde o cotidiano se transforma em poesia visual. Martí, reconhecido por sua habilidade em mesclar humor, simbolismo e erotismo em cada pincelada, constrói com esta exposição um diálogo entre realidade e imaginação, convertendo objetos e cenas comuns em narrativas repletas de sensibilidade, ironia e provocação sutil.

Desenho de arma laser, 2025.
Por meio de uma combinação de desenhos, aquarelas e ilustrações em papel e outras mídias, o artista explora momentos fugazes e detalhes do cotidiano, desde toalhas de mesa de bar até figuras que parecem ter emergido da memória coletiva, transformando-as em pequenas histórias que despertam a emoção e a curiosidade do espectador. Cada obra se torna um microcosmo, um fragmento da realidade reinterpretado com poesia, intensidade e humor, características que definem a trajetória artística de Martí.
A exposição, que estará aberta ao público de 8 de janeiro a 14 de fevereiro de 2026, destaca-se pela sua iconografia espetacular, dominada pela cor rosa, que permeia o espaço com uma energia vibrante e cativante. Os elementos característicos da linguagem visual de Martí – figuras híbridas, composições irônicas e detalhes sugestivos – combinam-se num jogo constante entre aparente simplicidade e complexidade conceitual. A disposição das obras e a força cromática criam uma experiência imersiva, onde o público é convidado a explorar cada recanto, descobrir histórias ocultas e deixar-se levar por uma realidade reinventada.

Asfixia, 2025.
La Vie en Rose não só confirma Sebastià Martí como um criador que transforma o banal em arte, como também reafirma a sua posição no panorama da arte contemporânea catalã como um artista capaz de combinar técnica, imaginação e sensibilidade crítica. Esta exposição é um convite a contemplar a vida a partir de uma perspetiva lúdica e poética, onde a cor, a forma e a narrativa visual se entrelaçam para criar um universo único, íntimo e surpreendente.

Sonho Disperso, 2025.
"Ao longo dos anos, passei a perceber minha vida (e, se me permitem a metáfora, considero-a necessária neste caso) como uma caminhada por uma espécie de floresta em que as sensações produzidas por seus elementos mudam constantemente: do terror e pânico mais desanimadores ao amor puro, suspeito de o ser; do ego e exibicionismo à tristeza insuportável; do humor que anseia pelo riso à consciência da passagem do tempo; da fantasia inconsciente, onírica, que preenche parcialmente noites e dias, à imaginação consciente, que produz mundos inexistentes; de sensações doentias e repugnantes à luxúria buscada e, sobretudo, àquilo que não é. A metáfora da floresta permite-me dar substância a essa acumulação de sensações."