O Museu de Badalona enfrenta uma mudança inesperada em sua gestão. A Câmara Municipal de Badalona demitiu o arqueólogo e gestor cultural Joan Francès, que havia assumido o cargo há menos de um ano e meio, após ser conquistado por meio de concurso público. A decisão, aprovada há duas semanas, não havia sido divulgada até então e foi anunciada coincidindo com o retorno de Francès de suas férias.
Como o próprio ex-diretor explicou ao El Punt Avui, ele recolheu seus pertences do escritório e se despediu da equipe do museu sem saber os verdadeiros motivos de sua demissão. "Não sei os motivos pelos quais me demitiram, mas sei que não são os mesmos que deram à imprensa", declarou.
A Câmara Municipal justificou a demissão como o início de uma "nova etapa" ligada à reestruturação dos objetivos futuros da instituição. A Câmara garante que essa nova orientação visa fortalecer o planejamento estratégico do museu, melhorar a coordenação com os órgãos municipais, monitorar mais rigorosamente os objetivos de gestão, reorganizar os serviços internos e adaptar a organização às novas prioridades institucionais.
Francès, no entanto, considera essa explicação paradoxal, visto que o museu acabara de ser contratado para elaborar seu novo plano estratégico. Além disso, a equipe trabalhava em diversos projetos de grande relevância, incluindo um projeto de pesquisa de quatro anos sobre o assentamento ibérico de Turó d'en Boscà, aprovado pela Generalitat, para o qual ele seria o principal pesquisador. Ao mesmo tempo, o projeto executivo para a expansão do museu também estava sendo preparado, aguardando-se o resultado da chamada de propostas para o programa 2% Cultural do Ministério da Cultura.
O ex-diretor afirma que a demissão pode ter sido por motivos políticos. Francès também lamenta que uma cidade com o peso histórico de Badalona continue sem um espaço museológico permanente dedicado a explicar sua história de forma monográfica, uma reivindicação que ele próprio defendeu durante sua gestão à frente do museu.